Cristo e a Cidade
Um sítio ecuménico que não representa nenhuma Igreja cristã particular; sítio de cristãos empenhados em contribuir, de modo sereno mas eficaz, para tornar presente no espaço público a voz da Igreja de que são membros, na fidelidade ao seu Magistério, propondo-se fazê-lo sem renunciar às exigências da razão nem às da fé cristã.

A EUROPA E O EVANGELHO

João Paulo II e a «nova evangelização»

O longo pontificado de João Paulo II permitiu-lhe testemunhar, em primeira mão, a secularização cada vez mais agressiva e laicista que arrasta a Europa e os Europeus para longe da sua «antiga tradição»; permitiu-lhe ver políticos e intelectuais rejeitarem as «raízes» cristãs da Europa, perante a indiferença cada vez mais ignorante dos povos europeus, irmanados no desejo de bem-estar material, na indiferença religiosa e no vazio moral; permitiu-lhe ver como políticos de várias proveniências legislavam de modo a erodir o pouco que ainda resta da herança cristã no espaço público. E, por isso, João Paulo II trouxe para o discurso normal da Igreja a expressão «nova evangelização». Não o fez por razão de moda ou desejo de parecer diferente. O Papa entendia que nos países ditos «de antiga tradição cristã», sobretudo os países europeus, era necessário um novo esforço de evangelização. E defendia que tal evangelização seria nova nos «métodos», na «linguagem» e no «ardor», sem deixar por isso de anunciar o Evangelho de sempre – pois a Igreja só tem um Evangelho para anunciar, em todas as épocas.

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Os belgas… e a Europa

1. O Papa Bento XVI anunciou, por ocasião da Solenidade litúrgica de S. Pedro e S. Paulo (29 de Junho), a criação do Conselho Pontifício para a Nova Evangelização. O seu objectivo é promover a renovada evangelização de uma Europa em acelerado processo de secularização. Trata-se de uma iniciativa original, necessária e oportuna. De facto, na maioria dos países europeus, o laicismo tomou de assalto os corredores do poder político, as universidades, os meios de comunicação social... E não esconde o seu objectivo: expulsar o Cristianismo do espaço público. Veja-se, a propósito, a luta, inclusive com recurso aos tribunais, para tornar ilegal, nos países europeus, a exibição do crucifixo em lugares públicos. Começou-se pelas escolas, mas em breve chegaremos às ruas. E quem sabe, talvez os cruzeiros nos caminhos venham a ser proscritos, as “alminhas” tapadas a tijolo e as fachadas das igrejas entaipadas, simplesmente por estarem voltadas para as ruas, ostentando esse símbolo de intolerância e discriminação que é o crucifixo.

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Católicos na política

1. A visita de Bento XVI a Portugal, nos dias 11 a 14 de Maio, deixou imenso “trabalho de casa” para os católicos portugueses. De entre tais “trabalhos”, destaco, desta feita, aquele confiado aos Bispos portugueses – também porque, talvez por ter sido um discurso com audiência restrita, não parece ter recebido a atenção que merece. Mais ainda quando, por vários motivos e fruto de algumas intervenções episcopais recentes, se coloca com urgência renovada a necessidade de uma reflexão exigente sobre a dimensão política da existência cristã (política, neste contexto, refere-se à vida da polis, ou seja, do país – da qual faz parte relevante a política partidária, embora aquela não se esgote nesta). Venho defendendo, neste espaço, a necessidade desta reflexão. Tenho afirmado, com frequência, que a presença dos católicos na vida pública só faz sentido se for activa, participando nos debates que atravessam a sociedade portuguesa (e também o mundo da globalização), e “cristã” (ou seja, inspirada nos valores que tornam o Cristianismo uma proposta original e geradora de humanização). Daí resultam várias convicções, que passo a enunciar, sem qualquer pretensão de esgotar o tema.

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O fundamentalismo (islâmico) está na moda

1. Começo por onde dói mais. No dia 3 de Junho, Monsenhor Luigi Padovese, bispo italiano residente na Turquia e Presidente da pequena Conferência Episcopal que orienta os destinos da pequeníssima minoria católica daquele país, foi brutalmente assassinado pelo seu motorista. Como em casos anteriores, as autoridades locais atribuíram o caso a “distúrbios psíquicos” – não deixa de ser, no mínimo, curioso como os turcos mentalmente “desequilibrados” têm tendência para atacar violentamente os cristãos do país, e em particular os sacerdotes. Relatos posteriores, da Agência AsiaNews, traçam uma imagem bem mais significativa do caso: o assassino não se limitou a esfaquear D. Luigi Padovese, decapitou-o – procedimento típico dos fundamentalistas islâmicos quando se trata de executar os “infiéis”; além disso, o homem foi escutado aos gritos de “Matei o grande Satanás. Allah é grande” – “argumento” também muito conhecido entre as hordas do fundamentalismo islâmico que proliferam um pouco por todo o Médio Oriente, pela Europa e pelos Estados Unidos.

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Bento XVI em Portugal: uma festa da fé.

1. É difícil passar ao lado da presença do Papa Bento XVI em Portugal, entre 11 e 14 de Maio. Que um milhão de portugueses tenha ido fisicamente ao encontro do Santo Padre, não é coisa pouca. Que vários milhões tenham acompanhado as diversas celebrações pela televisão, também merece referência. Que tudo isto tenha acontecido em ambiente de festa, sem atropelos, desordens ou necessidade de qualquer acção especial das forças de segurança lembra algo quase sempre esquecido: quando os cristãos se reúnem, fazem-no para celebrar a sua fé, não para provocar ninguém nem para ameaçar seja quem for. Também assim se mostra que o Cristianismo é uma força de progresso e paz social – apesar de tudo quanto alguns tentam fazer crer, movidos por razões que a razão desconhece.

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CAVACO SILVA E O CASAMENTO ENTRE HOMOSSEXUAIS

por Elias Couto


O Presidente da República promulgou a lei que permite o chamado “casamento” entre pessoas do mesmo sexo. Fê-lo três dias depois de o Santo Padre Bento XVI terminar a sua visita pastoral ao nosso país, durante a qual apelou a uma participação mais convicta – ou seja, mais de acordo com as convicções próprias – dos católicos na vida pública, em particular na política, na qual, não raro, se professa e promove “uma proposta mono-cultural com menosprezo pela dimensão religiosa e contemplativa da vida. Em tais âmbitos, não faltam crentes envergonhados que dão as mãos ao secularismo, construtor de barreiras à inspiração cristã” (Discurso aos Bispos Portugueses). Sábias palavras de Bento XVI, face ao panorama político que temos diante de nós e aos poucos políticos ditos católicos que exercem cargos especialmente relevantes no nosso país.

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CULPABILIDADE COLECTIVA E BODE EXPIATÓRIO

por Elias Couto


1.
René Girard, conhecido sociólogo e filósofo francês, tem perspectivas únicas sobre as sociedades decadentes, a violência colectiva e a necessidade de bodes expiatórios. [Pode ler-se, com proveito, deste Autor, “La Route Antique des Hommes Pervers” e “Le Bouc Émissaire”]. Em síntese, Girard lembra que as sociedades (as sociedades religiosas primitivas como as sociedades tecnológicas modernas) são habitadas por forças auto-destruidoras (cuja origem seria demasiado longo explicar aqui). Estas forças, porque inconscientes, agem em profundidade ao longo de décadas ou séculos. Mais tarde ou mais cedo, porém, atingem o ponto de ruptura – aquilo que prosaicamente se designa com a expressão “crise social”.

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PEDOFILIA: Uma traição inqualificável

por Elias Couto


Depois dos apontamentos do mês passado, retomo neste espaço a questão dramática da pedofilia em instituições da Igreja Católica, na qual se encontram envolvidos alguns sacerdotes e religiosos. Faço-o porque entretanto foi publicada a Carta de Bento XVI aos católicos irlandeses, a propósito desta grave questão na Igreja Católica que está na Irlanda. Faço-o, também, porque as últimas semanas foram pródigas em títulos da imprensa e insinuações visando implicar Bento XVI nesta questão, pelo menos como protector de pedófilos – o ex-teólogo Hans Küng foi, nesta matéria, inultrapassável na perfídia e na calúnia. Faço-o como manifestação do mais profundo respeito e apreço pelo empenho do Santo Padre em “limpar” a casa da Igreja deste escândalo criminoso. Faço-o porque as vítimas – as crianças e jovens abusados, os pais traídos e envergonhados, os sacerdotes e religiosos caluniados, os fiéis escandalizados e vacilantes na fé, a Igreja exposta à irrisão do mundo – merecem que todos façamos o que está ao nosso alcance para combater esta presença maléfica que não cessa de arremeter contra a Igreja, servindo-se tantas vezes de alguns dos seus filhos humanamente mais qualificados.

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