A Internet – é um instrumento positivo ou
perigoso?
por Maria Fernanda Barroca
A Internet é dos mais recentes, e podemos dizer, sob
muitos pontos de vista, o mais poderoso dos inúmeros
instrumentos de comunicação que rapidamente atingiu um
elevadíssimo número de pessoas.
O telefone (1876), levou 35 anos para atingir 50
milhões de pessoas; o rádio (1906), 22 anos; a
televisão (1926) 26 anos, mas a Internet (1955) levou
apenas 4 anos para atingir 50 milhões de utilizadores.
Face a esta prodigiosa expansão, cabe perguntar: a
Internet é um perigo ou um instrumento positivo, quase
diria indispensável na promoção e propagação de
notícias?
É de facto um valioso meio de Comunicação e por isso a
Igreja não podia deixar de lhe deitar a mão para a
divulgação da doutrina, para o bem comum internacional,
para a solidariedade entre os povos, para a
inculturação e evangelização.
«Ética na Internet» é um documento do Pontifício
Conselho para as Comunicações Sociais, datado de 22 de
Fevereiro de 2002 e subscrito por John P. Foley
(Presidente) e Pierfranco Pastore (Secretário).
No referido documento pode ler-se: “Actualmente a
Internet está a ser usada de várias formas positivas,
com promessa de muitas mais, mas a sua utilização
imprópria pode causar também um grande prejuízo. Qual
será o seu uso, positivo ou negativo, é em grande
medida uma questão de escolha – uma opção em relação à
qual a Igreja contribui com dois elementos de enorme
importância: o seu compromisso em benefício da
dignidade da pessoa humana e a sua longa tradição de
sabedoria moral”. Podemos assim afirmar que a Internet
é uma moeda de duas faces: uma boa e que se deve e pode
aproveitar e outra má que deve ser rejeitada, em nome
da moral e dos bons costumes.
Com a Internet podemos ter conhecimento dos Documentos
do Santo Padre, muito antes de serem publicados em
livro; podemos ter conhecimento de avanços da Ciência;
podemos ter acesso ao que vai pelo mundo, quase em cima
dos acontecimentos.
Pode ser um precioso instrumento didáctico, quando
usado com bom senso e moderação, posto ao serviço da
motivação que facilita a aprendizagem por vezes de
matérias áridas. Encurta distâncias entre as pessoas
através do correio electrónico. Estes são alguns dos
muitos aspectos da sua face positiva. Só é pena que
apesar de facilitar a comunicação entre as pessoas,
cada vez as barreiras são maiores e o isolamento é mais
pungente!
Quando surgiu a televisão, muitos pais embandeiraram em
arco pensando que assim se iam evitar as saídas
nocturnas… Que ingenuidade! A televisão veio diminuir
ainda mais o diálogo familiar: já não se conversa ao
serão pois todos têm os olhos postos no pequeno ecrã.
Mas como os gostos são diferentes, cada um passou a ter
o seu aparelho e ao mobilar o quarto dos filhos não
pode passar em claro a “intrusa”. Assim os meninos vêm
pela noite dentro tudo o que a televisão debita e que é
altamente reprovável; bem basta já o que nos mostram
nos anúncios publicitários em horário nobre e antes de
um programa que por ser bom (ainda os há) chama muita
gente.
Com a Internet está a passar-se algo de semelhante, mas
muito mais perigoso. As crianças têm o “seu” PC ligado
à Internet e acedem a ela quando querem, para ver o que
não devem. É algo inevitável porque elas têm acesso nas
Escolas, nos cafés, nos telemóveis, etc. O que não quer
dizer que os pais baixem os braços e não exijam que o
PC esteja na sala de estar, para controlar as conversas
tidas pelos filhos nas “chat-rooms”.
Conto um caso verídico. Um casal, depois do jantar, foi
surpreendido por uma visita que se identificou e pediu
para falar com a filha do casal: tratava-se de um
“polícia informático” que tinha sido contactado pela
jovem através de um “chat”. Aí a menina, na sua
ingenuidade, deu todos os dados para ser identificada.
E se em vez de um “polícia informático” tivesse sido um
pedófilo? Teríamos, com certeza, mais uma vítima a
lamentar. Isto é um alerta para os pais que porventura
me leiam.
Internet – óptimo, mas com cautelas e filtros próprios
que bloqueiam a entrada em programas pornográficos ou
perigosos como acabei de referir e que protegem não só
as crianças, mas também os adultos que têm respeito por
si mesmos e podem, inadvertidamente, dar de caras com
um desses programas.
Com o uso da Internet todos os cuidados são poucos.
Aproveitemos bem a “farinha” que nos dá e não deixemos
entrar o “farelo”.
