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Violência
e sexo na publicidade
Por
Maria
Fernanda Barroca
É prática
corrente intercalar o visionamento de um qualquer
programa televisivo com anúncios publicitários. O
número de anúncios e a sua duração podem até
fornecer-nos uma ideia do nível de audiências de um
determinado canal. Os anunciantes só procuram anunciar
os seus produtos quando sabem que o canal escolhido tem
grande audiência.
Há nesta situação de publicidade dois fenómenos
curiosos, estudados estatisticamente. Num caso
participaram mais de 300 adultos. Em cada programa de
televisão com cenas de violência ou sexo explícito
foram inseridos 9 spots
publicitários
com produtos da vida corrente, como refrescos,
detergentes, arroz, etc. Imediatamente depois do
programa, e de novo depois de 24 horas, os espectadores
deviam recordar-se das marcas dos produtos anunciados,
mas não. Brad Bushman, encarregado do estudo declarou:
“uma possível razão pela qual os programas de conteúdo
sexual ou violento reduzem a memória dos anúncios é que
o espectador põe mais atenção no sexo ou na violência,
diminuindo assim a capacidade de atenção disponível
para ser usada nos anúncios”. Isto independentemente de
gostarem ou não do programa que viram, de serem homens
ou mulheres, com idades muito variadas. Por outro lado,
os espectadores que viram programas sem sexo ou sem
violência recordam com facilidade as marcas anunciadas.
O outro fenómeno curioso é o de usar a violência ou o
sexo explícito nos próprios anúncios. Audrey Guskey,
professora de marketing
na
Universidade de Duquesne, é de opinião que “as pessoas
recordam o anúncio, mas não o produto anunciado”. De
facto não é preciso ir a extremos, mas anunciar uma
marca de carro com uma mulher semi-vestida é, além de
um grande mau gosto, uma valente estupidez: as pessoas
prestam muito pouca atenção ao carro...
Os nossos publicitários têm muito que aprender se
querem que os produtos anunciados tenham impacto no
consumidor. Não é fazer como até agora, em que os
anúncios deviam ser censurados, uma vez que são
impróprios para pessoas decentes. A continuar assim as
pessoas não decentes fixam o anúncio, mas esquecem o
produto anunciado.
George Gwerbner que foi decano de uma Universidade da
Pensilvânia, em matéria de comunicação, explica a razão
de tanta violência e sexo na televisão. Diz ele que os
programas desse tipo são revendidos com facilidade no
mercado global das televisões porque não necessitam
tradução, nem subtileza de argumento, nem qualidade de
personagens, nem grande cultura.
E assim vai este mundo – uma lixeira, onde as moscas
(neste caso as pessoas pouco ou nada decentes) se
sentem bem. Felizmente que ainda há muita gente que se
sente incomodada com o «mau cheiro»!