Cristo e a Cidade
Um sítio ecuménico que não representa nenhuma Igreja cristã particular; sítio de cristãos empenhados em contribuir, de modo sereno mas eficaz, para tornar presente no espaço público a voz da Igreja de que são membros, na fidelidade ao seu Magistério, propondo-se fazê-lo sem renunciar às exigências da razão nem às da fé cristã.

Clausura e abertura

Por Passos Silva


Um dia destes publiquei em uma das ditas ‘redes sociais’ um link de uma notícia publicada pela agência Zenit com o título
Papa recorda importância da clausura na Igreja.
A dita notícia começava assim:
“Bento XVI manifestou hoje (1/Dezembro) o seu reconhecimento e estima pelos homens e mulheres que se retiram à vida contemplativa, durante a catequese que pronunciou na audiência geral desta manhã.”

Umas 10 horas depois de ter publicado o link recebo dois ‘comentários’:
Um dizia:
Clausura?.....????? Não sei o que quer dizer!!!!!! Pode devolver!!!!!!!obrigada” e o outro: “Nem pensar!!… A igreja está a precisar de mais "abertura" e não clausura.”
Fiquei atónito e sei lá que mais… ao ler isto!
Dei-me um bocado de calma… e reli… e resolvi responder o seguinte:
Vocês não leram o artigo… Trata-se de Vida Contemplativa… :-) Mas de facto nem todos entendem o que é isso de 'vida contemplativa'…”

Depois fiquei a meditar no assunto. Constatei duas ou três coisas. A primeira é que, de facto, o mal é geral: reagimos ao que ouvimos, ao que vemos, ao que lemos, sempre pela rama, intempestivamente e sem deixar que o outro acabe a sua ‘conversa’… Estamos sempre a jogar à defesa como se os outros nos estivessem sempre a atacar.
A segunda é que quando ouvimos, quando vemos e quando lemos e não sabemos do que se trata… não temos a humildade de perguntar, ao menos, ‘do que se trata?’, ‘que é isto que estou a ouvir, a ver, a ler?’

No caso concreto desta ‘notícia’ da vida da Igreja… também pus a possibilidade (ainda que remota) de ignorância ou falta de conhecimento.
É. Temos meios poderosos à nossa disposição, na ponta dos dedos, ‘á distância de um click’ num teclado perto de nós! A ‘clickmania’ é tão nefasta, se não pior, que o zapping do comando da televisão; naquele como neste deixamos tanta notícia por acabar, tanta imagem e tanto som por ver e ouvir que depois ficamos assim: convencidos de que percebemos tudo logo após as primeiras sílabas, imagens ou parágrafos conforme o meio e/ou interlocutor que temos à nossa frente.

Este frenetismo e ânsia de ver/saber/ouvir as ‘últimas’, seja relativo a quem for, fazem-nos cair num superficialismo ridículo, quiçá autodidacta, que denuncia o quão vaidosos somos do nosso dito ‘saber’, tão arrogante quanto superficial, cimentado em ideias pré-concebidas, superficiais e ridículas. É assim que hoje acontece: “esta é a minha opinião e ponto final”.
Queremos tanta ‘abertura’, e para quê?, se não lemos o escrito, se não ouvimos o falado e se não vemos o que nos é mostrado? Como poderemos viver se não quero ouvir, nem ler, nem ver?

Do que se trata mesmo é de falta de silêncio. Silenciar para ler, ouvir e ver. Só um silêncio de comunhão torna a audição mais apurada, a leitura mais atenta e a visão mais penetrante… O silêncio tem algo de divino, de perfeito, de plenitude…
Também disto trata a ‘clausura’…